Por Camila Montagner
Fotografias reunidas em ensaio trazem a trajetória de Mãe Samara na Umbanda e na dissidência de gênero, levando em conta que “território, espiritualidade e corpo se compõem, coexistem e coproduzem” na sua história assim como na do terreiro onde ela atua em Tabatinga (AM).
No lado brasileiro da fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a líder comunitária Samara Soares se tornou Mãe de Santo e foi acompanhada no início da sua vida na Umbanda por um trabalho etnográfico do professor da USP e coordenador do Cosmopolíticas, José Miguel Nieto Olivar, que a fotografou em Tabatinga em 2012 e 2023. No ensaio publicado na AntHropológicas Visual, o psicólogo e doutorando em saúde pública (FSP-USP), Michel Furquim, traz imagens mais recentes da atuação de Mãe Samara que se somam às fotografias de Olivar.
Nesse meio tempo, Samara passou uma temporada em São Paulo para, nas suas palavras, “se plastificar”, e voltar “toda feita” para a tríplice fronteira. Michel Furquim esteve em 2024 em Tabatinga e lá frequentou as giras no terreiro Cabocla Herondina, onde Samara atua hoje como Mãe de Santo. Levando em conta essa atuação, as permissões, pedidos, negociações com as entidades que incorporam Mãe Samara ganham destaque no texto que acompanha o ensaio.
Ao ir a São Paulo fazer seu corpo como um passo importante na sua dissidência de gênero, Mãe Samara deixa claro que teve a permissão da Pombajira Maria Padilha das Almas, a quem chama de “minha senhora”. Mas, hoje em dia, por conta dos seus Filhos e Filhas de Santo, diz que não pretende voltar a São Paulo para ficar por mais tempo que umas férias. Isso não quer dizer, entretanto, que descuide de si. Ela cita os banhos de descarrego, cuidar do corpo, fazer as limpezas e os Ebós como preparo que também faz com esteja em condições de atender seus Filhos e Filhas de Santo, seja para acolher ou para “gongar”, quando entram em desacordo com as Entidades que incorporam Samara.
DOS SANTOS, M.O.F.; OLIVAR, J.M.N.; SOARES, S. Uma Mãe de Santo Travesti e suas Entidades Guias etnográficos pela Tríplice Fronteira Amazônica. Revista Anthropológicas Visual, Recife, Volume 11, Coleção 2 (n.2). 2025. http://doi.org/10.51359/2526-3781.2025.267561






