As doutorandas em saúde pública na USP e pesquisadoras do Cosmopolíticas, Natalia Farias e Elizangela da Silva Costa Baré publicaram na revista Saúde e Sociedade a entrevista feita com a então diretora do Departamento de Atenção Primária da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) e hoje secretária adjunta na mesma pasta, Putira Sacuena. A entrevista recupera desde a trajetória da secretária como liderança indígena e cientista, até chegar também a discutir o seu trabalho no cargo que vem a ocupar em Brasília.
A entrevista faz parte do dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade, voltado para o combate ao racismo na Atenção Primária à Saúde, e foi realizada no primeiro semestre de 2025. Prestes a completar um ano no cargo de diretora na SESAI, Putira Sacuena destacou que “a saúde indígena não é conteúdo obrigatório nos cursos da área da saúde. O que existe são disciplinas optativas, por sensibilidade de professores. Mas a gente precisa de obrigatoriedade”.

A secretária, que é doutora em Bioantropologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisa genética humana e medicinas indígenas, relembrou a pressão que recaía sobre ela e outros alunos e alunas que entraram na graduação na UFPA em 2012, quando passou a ser realizado o vestibular com política de inclusão para indígenas. “A gente tinha que dar certo para que as políticas continuassem”, diz Putira Sacuena.
Ela considera fundamental o apoio que teve da família para que estudasse e concluísse sua formação, tanto a acadêmica quando no aprendizado das medicinas indígenas. “Só durante a disciplina de Farmacologia entendi que a maior farmacologista que tive foi minha avó. Ela não precisava matar plantas, nem ir para o laboratório para saber sobre as plantas. Isso mexeu muito comigo”, conta a secretária.
Putira Sacuena, que foi presidente da Associação de Estudantes Indígenas da UFPA, aceitou ocupar o cargo de diretora na SESAI depois de conversar com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A secretária, que cresceu em Santa Isabel do Rio Negro, é indígena da etnia Baré. A entrevista que ela concedeu foi publicada em versão bilíngue, podendo ser lida em português e em inglês.
FARIAS, Natalia; BARÉ, Elizangela da Silva Costa. Entrevista com Putira Sacuena. Saúde e Sociedade, São Paulo, Brasil, v. 35, n. 2, p. e250451pt, 2026. DOI: 10.1590/S0104-12902026250451pt. Disponível em: https://revistas.usp.br/sausoc/article/view/250779. Acesso em: 20 jul. 2026.






